quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Ouvida na barbearia: A história da Melro preto e o Francelho


A história reza que as duas aves tinham se tornado amigas. Digamos que os dois machos eram muito amigos até que um determinado dia se tornaram compadres.
 Mas aquela amizade era um pedaço contra-natura.
 Uma vez que o Francelho é um predador natural do melro-preto e outras aves. O melro preto andava muito desconfiado da amizade do seu compadre francelho. Por causa disso mesmo ao dormirem juntos o melro preto dormia sempre com um olho aberto e o outro olho fechado.
 O Francelho intrigado com aquele comportamento estranho acabou por pedir ao seu compadre Melro-preto uma explicação:
 A resposta foi imediata: 

«Compadre francelho:

 Quem não tem compadre certo 

tem de dormir sempre com um olho fechado e outro aberto!»

Cromos da RTP/Madeira


 Uma médica muito convencida apesar de bonita

Lídia Ferreira do Sindicato dos Médicos (abaixo sem óculos)



Porque amanhã é feriado


Alberto João imparável: Agora ataca o deputado albuquerquista do PSD Élvio Encarnação

 O meia-bola

Élvio Encarnação «o meia-bola» está dando cabo do PSD em Machico diz o tio-Alberto!

Do mesmo modo, Élvio Encarnação, presidente da Concelhia da Machico e deputado, considera que, “tal como na vida é importante fazer as escolhas certas, comunicar implica também saber o que dizer, como e quando o fazer”. [Funchal-noticias]

tio Alberto muito sarcástico e caústico em relação aos seus detratores

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

«Tio» Alberto volta a atacar a "miss baton laranja"acusando-a de destruir o seu PSD


Veja blog RENOVADINHOS
Acordo de paz entre o governo colombiano e as FARC (a mais antiga guerrilha da América Latina)
 

Julgamento do Serial Killer do Uganda

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Vivemos em ditadura no passado:Agora temos em Portugal, uma ditadura democrática policiada por tribunais e juízes corrutos

 
Quem definiu na perfeição a situação política em Portugal, antes e após 25 de  Abril, foi o grande artista plástico madeirense o  pintor, António Aragão, falecido em 2008.
“este regime de depois do 25 de Abril é muito pior do que o do Salazar, porque antes era uma ditadura, mas assumida, e agora é uma ditadura, mas disfarçada de democracia”.

Fonte da citação Diário de Notícias do Funchal

António Aragão entrevistado por Maria Luísa


Com a devida vénia do blog http://www.aragao.org/


Documentário produzido em 1994 pela RTP sobre António Aragão, da autoria da jornalista Maria Luísa

. António Aragão e o jornal clandestino do 

PCP/Madeira em 1978, chamado «O LIXO»


O economista João Abel de Freitas diretor do «FAROL DAS ILHAS»



O jornal era escrito pelo poeta Aragão e os textos eram fornecidos pelo PCP do qual António Aragão era militante. O jornal clandestino tinha por nome «O LIXO».Era impresso nas máquinas do partido na sua sede da rua da Carreira.Tinha uma tiragem pequena e era distribuido clandestinamente e à noite por debaixo das portas dos estabelecimentos comerciais e nas caixas de correio das residências dos intelectuais da cidade do Funchal.

 O teor das notícias eram as negociatas do PPD/PSD na altura e as ligações que este partido e o Alberto João tinham com os operacionais da Flama e os atentados que eles na altura faziam aos democratas da esquerda e do próprio Partido Socialista.

 Era Aragão, intelectual do partido o encarregado da sua redação e ilustração. Costumava fazer os desenhos e os têxtos no seu local de trabalho no Arquivo Regional.

 Alberto João alarmado mandou o Polícia Judiciária fazer uma busca à casa onde residia Aragão e ao Arquivo onde Aragão trabalhava. O nosso intelectual assustado deixou de escrever o jornal. Ficou apenas no 4º número. (felizmente para Aragão) a Polícia Judiciária nada apanhou na busca. Pois os papéis batidos à máquina, iam todos para a sede do PCP onde juntamente com os desenhos eram impressos num Stêncil e distribuídos.

 Com o cagaço de António Aragão lá o PCP teve que deixar de imprimir o dito Jornal clandestino. Não havia condições!

 Meses depois o partido abriu um jornal (desta vez legal) que era o FAROL DAS ILHAS. Tinha como diretor o dr. João Abel de Freitas o economista, que na altura pertencia à Junta de Planeamento da Madeira. O jornal era quinzenário e nele colaboravam: João Palla Lizardo, Rui Nepomuceno, Mário de Aguiar, na altura eleito na Assembleia Municipal do Funchal, Natália Paes e o próprio
João Abel de Freitas. 
 O FAROL DAS ILHAS publicou-se durante dois anos. Era um jornal muito mais brando nas notícias do que O LIXO uma vez que tratando-se de um jornal legal, tinha de ter mais contenção nas notícias que mandava lá para fora. Pois com PPD e seu braço armado (a FLAMA) a coisa não era para brincadeiras.

ARTUR FONTES — Quarta-feira, 24 Outubro 2012 — 0 Comentários

A REVOLTA do LEITE, Madeira 1936


ARTUR FONTES
«a minha prisão foi tida como um facto político (…) não podia ficar indiferente, tinha de me interessar pelo povo, se não me interessasse, não era um pároco digno»
Padre César Miguel Teixeira da Fonte
Procurado e encontrado num hotel do Funchal pelo chefe da PSP que, de pistola em punho, forçaria a porta do quarto onde o Padre Teixeira da Fonte se encontrava, na noite de 11 de Setembro de 1936. Ao mesmo tempo, a sua casa paroquial estaria a ser assaltada por elementos policiais. Ao pároco da freguesia do Faial, ser-lhe-ia informado da necessidade de se apresentar ao Governador militar. Seria falso este argumento, acabando por ser enclausurado num calabouço à meia-noite, sem ter estado presente ao governador militar. Retiram-lhe o breviário, para além de outros objectos pessoais, como, p.ex., um manual de história.
Interrogado por um agente da PVDE, a 14 desse mês, responderia à acusação de ter incitado o povo à revolta, da seguinte forma: “Perante o que V.Exa. me acaba de perguntar eu, mais do que nunca fico convencido de que quem manda no distrito do Funchal já não é o homem, mas sim a intriga personificada…só com o fim de prejudicar as pessoas de bem e satisfazer as mesquinhas paixões dos seus autores”, (João Abel de Freitas, in “A Revolta do Leite. Madeira 1936, 2011:120).
Transferido, de noite, para a prisão de Lazareto, conhecida como o “Forno” de Lazareto, pelas suas exíguas dimensões. Era tão pequeno este subterrâneo que «os presos tocavam-se uns nos outros como sardinha em lata e tão baixo que as cabeças podiam bater no tecto» (op.cit.128). Era-lhes servida uma refeição diária e seis litros de água. Com ele estavam mais 116 reclusos. O Pe. Teixeira da Fonte viria a embarcar para Lisboa a 22 de Junho de 1937, para o Forte de Caxias, apesar dos inúmeros apoios e abaixo assinados por membros da Igreja e da sociedade civil da Madeira. A 30 de Junho, sairia em liberdade condicionada da prisão de Caxias, tendo sido estabelecida residência fixa em Lisboa, com a «obrigação de comparecer todas as segundas-feiras, às 12 horas, na PVDE», (op.cit., pag.122). Alguns meses mais tarde, escreve um “Relatório Autógrafo sobre a Prisão dum Padre Católico, Um Brado de Justiça” e enviaria a Salazar e ao Ministro do Interior, de então. Em Lisboa, concluirá a licenciatura em Direito, tendo sido noticiada com certa ênfase, no “Notícias do Funchal,” em 1943. Viria participar em movimentos católicos de reflexão e voltará a ter problemas com a PIDE, o que não lhe retirará coragem de se apresentar como candidato às eleições de 1969, pela oposição, nas listas da CEUD, pelo círculo de Lisboa. Activo oposicionista nos movimentos católicos contra o Estado Novo, viria pertencer à comissão de apoio a Mário Soares quando este é deportado para São Tomé.
Mas, o que provocaria esta tomada de consciência política e consequente tomada de posições contrárias ao governo do Estado Novo, por parte deste Padre católico madeirense?
Diz ele: “O povo pediu-me e exigiu que eu o acompanhasse na sua reclamação. Eu como pároco da freguesia conhecia o problema e tinha obrigação de o conhecer” (pag.125). A origem destes protestos, estará na revolta dos produtores de leite, da Ilha da Madeira, contra o Dec.-Lei 26656, de 4 de Junho de 1936, emanado pelo governo central de Lisboa. Este Documento, criava a Junta Nacional de Lacticínios da Madeira. Através dele, eram fixados não só o número de postos de desnatação em 320, ao contrário dos 1108 existentes nessa data, cuja média de laboração era de 40 a 44 lt diários. Exigia-se uma laboração de 150 lt diários, a estes 1108 postos. Enquanto tal não acontecesse, não se poderiam criar novos postos de desnatação.
Os produtores, revoltaram-se contra estas medidas, pois «equivalia a criar um “monopólio do leite” em favor das duas / três maiores empresas fabricantes de manteiga do Distrito do Funchal» (op.cit. pag.10). Assaltaram repartições de finanças, os registos civis e algumas fábricas de manteiga. Impediram o transporte das natas para o Funchal, e atacaram forças policiais, entre outras ações de protesto. Para a Madeira, com o intuito de sufocar a revolta, o governo envia navios de guerra, forças militares e agentes da PVDE.
Foram feitos perto de 600 prisioneiros. Muitos deles, enviados para o Continente para serem julgados por um Tribunal Militar Especial, acabariam por permanecer nas diversas prisões, por um período de dois e três anos.
A título de curiosidade, em 1922 teriam havido já manifestações violentas naquela Ilha, por causa da descida do preço do leite. Em 1931, teria sido a luta contra o monopólio da farinha e, em 1934 seria o açúcar o motivo que provocaria fortes movimentações por parte dos produtores destes bens alimentares.
Termino este artigo, com uma citação de Madame Curie (1867-1934), apresentada na abertura do livro “A Revolta do Leite, Madeira 1936”, em que se pode ler:
Nada na vida tem de ser receado
Tem apenas que ser compreendido.(fonte)

domingo, 4 de dezembro de 2016

Alberto João ataca Pedro Coelho presidente da Câmara Municipal de Câmara de Lobos

Chama-lhe aldrabão e acusa-o de estar feito com o «cervejeiro" e com o Dionísio Pestana
Pedro Coelho presidente da Câmara

Ferreira Gullar, mestre de poemas que só nasciam do espanto

Nome maior da literatura brasileira, poeta, escritor e ensaísta, arrojado experimentalista da língua e corajoso lutador contra a ditadura, Ferreira Gullar morreu aos 86 anos. (ver Público)
Estadão

Garcia Pereira tem dois iates e uma quinta no valor de 500 mil € acusa Arnaldo Matos

«a imprensa reaccionária levava esses pseudo-dirigentes ao colo, punha-os nos cornos da Lua, lambia-lhes muitas vezes o cu, como agora lambe ao ignorante, inculto e anticomunista primário advogado Garcia Pereira, a quem escondem até a autoria de factos que o podiam fazer desaparecer aos olhos das massas, como seja a propriedade de dois iates, um na doca de Alcântara e outro na doca da ilha de Porto Santo, ou a propriedade de uma mansão na Avenida 5 de Outubro, que lhe custou 500 mil euros, o que me levou a escarnecer dele, lembrando-lhe que, com a aquisição de uma mansão desse valor, até podia candidatar-se à posse do passaporte dourado…» Luta Popular

Recordando o atentado a Sá Carneiro

O comendador Rui Nepomuceno escreve sobre o revolucionário Fidel de Castro

Hasta La Victoria, Siempre!
Escreve o comendador Rui Nepomuceno
1º- A morte física de Fidel de Castro, uma das grandes referências da minha juventude, e um dos lutadores humanistas e comunistas que mais admirava, pelo grande patriotismo, pela heróica luta libertadora do seu povo e de todos os povos do Mundo, e por uma incansável batalha em prol duma sociedade justa, fraterna e solidária; deixou-me um sentimento de profundo pesar e de imensa perda, muito semelhante ao que havia sentido pelo falecimento do meu saudoso amigo e camarada Álvaro Cunhal.
De facto, ainda estudante na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra e no rescaldo da campanha eleitoral do general Humberto Delgado para a Presidência da República, na qual com muito empenhamento participei no combate pelo fim da ditadura salazarista e pela conquista das Liberdades e da Democracia; assisti com entusiasmo aos destemidos combates desenvolvidos nas montanhas de Cuba, por um punhado de patriotas revolucionários comandados por Fidel de Castro, a que se juntavam centenas de camponeses explorados e oprimidos, em heróica oposição contra a sangrenta ditadura militar fascista de Fulgêncio Batista, títere fantoche dos EUA.
Cuba era então pouco mais do que um parque de diversões e jogatina, quintal de mafiosos, proxenetas e corruptos, bordel de luxo dos norte-americanos que se embebedavam com o afamado rum e  fumavam os seus famosos charutos, autêntico paraíso fiscal onde exploravam, desafogadamente, latifúndios de cana-de-açúcar, e grande parte das suas riquezas.
Ficou-me na memória a entrada triunfal em Havana dos barbudos guerrilheiros das hostes  de Fidel de Castro e Che Guevara, saudados em delírio por milhares de oprimidos, pobres e explorados, que recuperavam a Liberdade e a Esperança, sucedendo a caravana triunfal da Libertação, que percorreu toda a ilha, num abraço fraterno a todo o seu entusiasmado povo.
Seguiu-se a expulsão dos gringos dos casinos e dos prostíbulos; a debandada de prostitutas, proxenetas, corruptos, e mafiosos; a distribuição de terras pelos famintos camponeses; e o início das nacionalizações dos sectores estratégicos da economia, que foram postos ao serviço do desenvolvimento e da satisfação das necessidades da população, sobretudo dos mais necessitados.
2º- Pouco depois, os gananciosos imperialistas norte-americanos, que graças à luta patriota e revolucionária de Fidel de Castro, deixaram de poder saquear à tripa-forra o povo cubano, proibiram a importação do açúcar da ilha, e logo em 1962, decretaram o criminoso embargo económico e o boicote que ainda hoje perdura, impedindo o heróico povo de Cuba de poder comerciar com a maior parte dos estados do Mundo.
E como nem assim conseguiram derrotar a consciência e o fervor revolucionário de Fidel de Castro e do seu povo, nem implantar em Cuba as terríveis ditaduras militares que haviam ajudado a criar no Brasil, no Chile, e na Argentina, tentaram invadir e ocupar a ilha com forças militares e mercenários, que depois de duros combates foram vergonhosamente derrotados na Baía dos Porcos, pela Forças Armadas cubanas e pela população que os expulsou na luta heróica pela defesa da Revolução e do Socialismo.
Depois desta humilhante derrota, o imperialismo dos EUA continuou a ocupar a base de Guantánamo, na qual instalaram uma tenebrosa e fétida prisão onde torturam lotes de presos políticos;  a CIA multiplicou numerosas agressões terroristas contra o território de Cuba, e centenas de atentados à vida de Fidel de Castro, enquanto, diariamente, canais da TV emitiam de Miami, todo o tipo de miseráveis desinformações, ameaças, e calúnias contra a revolução cubana.
3ª- Inquebrantável, apesar do boicote e de todas aquelas dificuldades, Fidel de Castro prosseguiu as árduas tarefas da implantação do socialismo e do desenvolvimento de Cuba, ao mesmo tempo que ajudava com médicos, pedagogos e professores outros países da América Latina e do Mundo; dando exemplos de admirável e maravilhosa solidariedade, como por exemplo, recebendo e socorrendo nas praias ricas em iodo da estância de Tarara, mais de 25.000 inditosas crianças vítimas do desastre nuclear de Chernobyl, a quem com muito carinho e afecto, prestaram preciosos cuidados médicos, que lhes restituíram a saúde e a alegria de viver.
Outro assombroso legado de Fidel de Castro, foi a coerência com que realizou os generosos princípios do internacionalismo comunista, sobretudo o seu glorioso papel e o de Cuba para ajudar a libertar África das trevas de séculos de escravatura e colonialismo, libertanto a Namíbia, e contribuindo com os seus corajosos e magnânimos soldados, para terminar com dezenas de anos de ignominioso “apartheid”,  bem como finalizar o martírio da criminosa prisão de Nelson Mandela.
4ª- Mas, o verdadeiro prodígio da obra imortal de Fidel de Castro, foi o de ter vencido toda a sorte de sacrifícios e boicotes com que o imperialismo capitalista o penalizou, ter conseguido devolver a soberania, a dignidade e a justiça social ao povo cubano, que hoje tem o orgulho de ter erradicado o analfabetismo e a miséria, sendo já o País mais avançado da América Latina, que ultrapassou grande parte dos estados ditos “democratas” e desenvolvidos, na realização da saúde infantil e materna, no tratamento gratuito das enfermidades oculares, do HIV, do cancro, e doutras horrorosas doenças; e de ter ainda proporcionado a todos os seus cidadãos, instrução gratuita e de grande qualidade, bem como esmerada e desenvolvida educação e cultura.
Hoje, por todo o planeta milhões de crianças vivem desprotegidas e famintas  nas ruas, mas nenhuma delas é cubana; hoje, muitos milhares de jovens são explorados como mão-de-obra barata e esfomeada nas multinacionais capitalistas, mas nenhum deles é cubano; hoje, milhares de crianças são analfabetas e carentes, mas na pátria de Fidel beneficiam de cuidadosa alimentação, sabem ler e escrever e frequentam um dos melhores sistemas escolares do mundo; hoje, enquanto os seus detratores enviaram tropas, armas, e morte pelo mundo, Cuba mandou 30.000 médicos em missões humanitárias a 68 países; hoje, enquanto milhões de seres humanos morrem em toda a terra por falta de assistência médica, e por não terem com que pagar medicamentos, Cuba tem um médico grátis por cada 130 habitantes, e também remédios gratuitos, que proporcionam uma expectativa de vida de 79 anos para o seu povo, que é a maior da América e uma das maiores a nível mundial.
5º Embora não haja maior fracasso  e vilania do que difamar e vangloriar-se da morte daqueles que não puderam ser vencidos em vida, muitos dos videirinhos que reivindicavam que Fidel de Castro implantasse em Cuba uma “democracia” semelhante à que Allende executou no  Chile, onde acabaria por ser derrotado e aniquilado, vêm agora difamar o Comandante de ter implantado uma rígida ditadura em Cuba, quando o certo é que ali tem sido exercida uma democracia participativa, onde são eleitos pela população o Governo e todos os dirigentes dos serviços periféricos da administração.
Não percebem ou fingem não perceber, que um país vítima de um criminoso boicote que há mais de 50 anos os impede de comerciar com a maior parte dos países do globo, que tem sido constantemente ameaçado e agredido pela maior potência militar do mundo, e ainda fustigado com centenas de ataques  terroristas, incluindo 638 atentados contra a vida de Fidel de Castro; para conseguir sobreviver de forma digna, soberana e independente, tem de estabelecer um regime militarizado, muito vigilante e musculado.
De modo que Cuba não será, nem poderia ser um paraíso na Terra, mas também não é um inferno como muitos dos seus detratores da direita gostariam que fosse. (Funchal-Notícias)
Estadão

A clássica prova pedestre Câmara de Lobos-Funchal, realizou-se hoje

sábado, 3 de dezembro de 2016

A história repete-se. Recordando o Benfica - Torino 4-3 de 1949

O dia em que o Grande Torino morreu num acidente de avião


Tragédia de Superga destroçou famílias, abalou uma cidade, matou um clube, devastou uma seleção e mudou por completo a história do campeonato italiano


Efeméride é uma rubrica que pretende fazer uma viagem no tempo por episódios marcantes ou curiosos da história do desporto, tenham acontecido há muito ou pouco tempo. Para acompanhar com regularidade, no (Maisfutebol.) 
4 de maio de 1949. Nos céus de Itália, o avião Fiat-G212 da ALI enfrenta um temporal. A bordo, 31 pessoas. 18 jogadores daquela que é considerada na altura uma das melhores equipas da Europa, o Torino, equipa técnica, jornalistas e tripulação. Regressam de Lisboa, de um jogo amigável entre o colosso italiano e o Benfica. Um encontro de homenagem ao capitão encarnado Ferreira. 

Nuvens negras, trovoada, chuva e vento forte começaram a aparecer na rota do voo já no Mediterrâneo, após a escala técnica feita em Barcelona. Ainda foi ponderada a alteração do destino para Milão, mas depois a rota é mantida. O tempo ia piorando consoante a aeronave avançava. Um manto espesso de neblina cobria a região de Turim. 

O voo tem aterragem prevista para as 17:00 e, já nos arredores da cidade, o piloto, com vasta experiência de voo, muita adquirida na II Guerra Mundial, foi contactado pela torre de controlo. «Estamos perto. Mais 20 minutos e chegamos», começa por dizer. «Estamos debaixo das nuvens. Faz-me um café para quando chegar», pediu ao companheiro que estava em terra. 

Às 17:02 a torre emite o boletim meteorológico ao piloto. «Nebulosidade intensa, rajadas de chuva, visibilidade baixa, nuvens 500 metros». « Recebido. Está bem, muito obrigado. Estamos a chegar», responde o piloto um minuto depois. Foi o último contacto.

O avião começa a descida para Turim. No caminho, passa pela Basílica de Superga, no alto de uma colina. Lá dentro, o padre, que estava a ler, ouve o barulho dos motores da aeronave. Está habituado a isso porque são muitos os aviões que sobrevoam a igreja. Mas depois um estrondo. A terra treme. A basílica abana por completo. O Fiat-G212 tinha-se despenhado contra uma parede da igreja.

Uma explosão mata as 31 pessoas a bordo. Mas faz mais do que isso. Destroça famílias, abala uma cidade, mata um clube, devasta uma seleção e muda por completo a história do campeonato italiano.

A ascensão do Grande Torino 

Na década de 40, o Torino dominou o futebol italiano. A equipa de Turim sagrou-se campeã nacional por cinco vezes, a última delas em 1949, um título póstumo pelos jogadores que perderam a vida em Superga. 

Na época 42/43, o Torino ganhou a Taça e o Campeonato, consagrando-se como a primeira equipa a conseguir ganhar os dois títulos na mesma temporada. Em 47/48 mais recordes: Número de golos marcados – 125 - e maiores goleadas, seja em casa, 10-0 com o Alexandria ou fora, 7-0 com a Roma. 

A força do Torino era tal que, no final da década de 40, 10 dos 11 títulares da Squadra Azzurra eram jogadores da formação grená. 

E todo este sucesso surge num contexto histórico muito complicado. A Itália tinha saído derrotada da II Guerra Mundial. Depois dos bombardeamentos que tinham devastado cidades, veio a pobreza, a fome, num país semi-destruído. O futebol cumpria aí um duplo papel importante. Por um lado, distraía um pouco a população das agruras da vida, por outro, os sucessos da seleção e de alguns clubes, como o Torino, eram o símbolo daquilo que a força e a união do povo poderiam fazer. 

O futebol do Torino era, além disso, apaixonante. Comandada por Valentino Mazzolla, a equipa, que jogava ao ataque, ao contrário da maioria das equipas italianas de então, encantava o mundo e fascinava os adeptos. 

Quando jogava em casa, o Torino tinha um período de ataque avassalador que passou a ser conhecido como «os 15 minutos do [estádio] Filadélfia». Precisamente aos 15 minutos, o célebre trompetista Oreste Bolmida tocava nas bancadas o toque de assalto da cavalaria. O capitão Mazzolla levantava o braço para os colegas e dava o sinal. Até à meia-hora de jogo a equipa imprimia a máxima velocidade, asfixiando o rival dentro da sua área. Era o período do jogo por excelência, dos golos e do espetáculo. 

Dizia-se na imprensa italiana da época que nenhuma equipa do mundo era capaz de sobreviver a esse quarto de hora, um período de tempo em que as bancadas de pedra tremiam. Depois de Superga, passou a dizer-se que só o céu conseguiu dominar os heróis do Grande Torino. Bacigalupo, Ballarin, Maroso, Grezar, Rigamonti, Castigliano, Menti, Loik, Gabetto, Ossola, Mazzola... eram sinónimo de uma equipa avassaladora, e levaram para a seleção a mesma filosofia que tinham no clube.
500 mil nos funerais

Em Turim, os familiares esperavam a chegada do avião. Com a demora, começam a telefonar para o aeroporto. Sabem então a notícia. O  Fiat-G212 despenhou-se. Não há sobreviventes.

Nos destroços, encontram-se pedaços de muitas vidas. Sapatos, documentos pessoais, fotografias, presentes que os jogadores traziam para a família. 

Efeméride é uma rubrica que pretende fazer uma viagem no tempo por episódios marcantes ou curiosos da história do desporto, tenham acontecido há muito ou pouco tempo. Para acompanhar com regularidade, no Maisfutebol. 

4 de maio de 1949. Nos céus de Itália, o avião Fiat-G212 da ALI enfrenta um temporal. A bordo, 31 pessoas. 18 jogadores daquela que é considerada na altura uma das melhores equipas da Europa, o Torino, equipa técnica, jornalistas e tripulação. Regressam de Lisboa, de um jogo amigável entre o colosso italiano e o Benfica. Um encontro de homenagem ao capitão encarnado Ferreira. 

Nuvens negras, trovoada, chuva e vento forte começaram a aparecer na rota do voo já no Mediterrâneo, após a escala técnica feita em Barcelona. Ainda foi ponderada a alteração do destino para Milão, mas depois a rota é mantida. O tempo ia piorando consoante a aeronave avançava. Um manto espesso de neblina cobria a região de Turim. 

O voo tem aterragem prevista para as 17:00 e, já nos arredores da cidade, o piloto, com vasta experiência de voo, muita adquirida na II Guerra Mundial, foi contactado pela torre de controlo. «Estamos perto. Mais 20 minutos e chegamos», começa por dizer. «Estamos debaixo das nuvens. Faz-me um café para quando chegar», pediu ao companheiro que estava em terra. 

Às 17:02 a torre emite o boletim meteorológico ao piloto. «Nebulosidade intensa, rajadas de chuva, visibilidade baixa, nuvens 500 metros». « Recebido. Está bem, muito obrigado. Estamos a chegar», responde o piloto um minuto depois. Foi o último contacto.

O avião começa a descida para Turim. No caminho, passa pela Basílica de Superga, no alto de uma colina. Lá dentro, o padre, que estava a ler, ouve o barulho dos motores da aeronave. Está habituado a isso porque são muitos os aviões que sobrevoam a igreja. Mas depois um estrondo. A terra treme. A basílica abana por completo. O Fiat-G212 tinha-se despenhado contra uma parede da igreja.

Uma explosão mata as 31 pessoas a bordo. Mas faz mais do que isso. Destroça famílias, abala uma cidade, mata um clube, devasta uma seleção e muda por completo a história do campeonato italiano.


27 de fevereiro de 1949 - último golo de Valentino Mazzolla pela seleção no Itália-Portugal

O jogo com o Benfica

A 27 de fevereiro de 1949, a seleção italiana, com seis jogadores do Torino no onze, goleou a portuguesa, em Génova (4-1). O capitão de Portugal era Francisco Ferreira, o de Itália, Valentino Mazzola. Dos contactos que mantiveram antes e depois do jogo nasceu uma relação de respeito e amizade.

Em maio, Francisco Ferreira iria ser alvo de um jogo de homenagem por parte do seu clube, o Benfica. O Torino era o adversário ideal. Entre avanços e recuos, motivados pelo facto de o título italiano estar em fase decisiva, o presidente do clube italiano concorda com a data de 3 de maio.


A 1 de maio, 24 horas depois de um empate com o Inter que lhe deixa as portas do pentacampeonato escancaradas, o Torino, aterra em Lisboa. Sauro Tomá, a contas com uma lesão no joelho, que lhe atrapalhou a carreira posteriormente, não viajou. Apesar de gripado, Valentino Mazzolla, insistiu em viajar.

Dois dias mais tarde, perante 40 mil espectadores, as equipas protagonizam um grande jogo no Jamor, com vitória do Benfica por 4-3. Em seguida, confraternizam no Parque Mayer. Ferreira convida Mazzolla a ficar mais uns dias em Lisboa, mas este declina e resolve regressar com a equipa naquele 4 de maio. 

Trailer do documentário «Benfica-Torino, 4-3»

500 mil nos funerais

Em Turim, os familiares esperavam a chegada do avião. Com a demora, começam a telefonar para o aeroporto. Sabem então a notícia. O  Fiat-G212 despenhou-se. Não há sobreviventes.

Nos destroços, encontram-se pedaços de muitas vidas. Sapatos, documentos pessoais, fotografias, presentes que os jogadores traziam para a família. 


A notícia começa a circular e deixa a cidade consternada. Em Turim, os rapazes do Grande Torino não eram estrelas distantes. Heróis em campo, eram conhecidos por fazerem parte da vida da cidade. Um deles tinha uma loja de vernizes, dois uniram-se numa sociedade e abriram um café. Iam aos bares, ao cinema e falavam com os adeptos sobre o último jogo, sobre o próximo, sobre o tempo, sobre a guerra... Os filhos brincavam na rua com os vizinhos, mesmo numa altura em que o som do alarme dos bombardeamentos os fazia correr para os abrigos.

Sandro Mazzolla, conhecido na altura por toda a cidade como Sandrino, filho do capitão da equipa grená, lembra-se dos passeios matinais pelo centro da cidade, de mão dada com o pai, e de conversar com quem com eles se cruzava na rua.Não foram só os heróis que caíram em Superga. Foram pais, filhos, irmãos, vizinhos, clientes, amigos...  Na colina, o avião despedaçado era uma metáfora do que aconteceu a muitas famílias. Só os  Ballarin perderam logo dois irmãos: Aldo e Dino.

Turim disponibilizou o maior palácio para as cerimónias fúnebres. 500 mil pessoas acompanharam os funerais, que se realizam a 6 de maio. Por toda a Itália, sucediam-se as homenagens.
Pentacampeões

A federação italiana decide atribuir o título ao Torino, que na altura do acidente liderava com quatro pontos de avanço sobre o Inter. É o Penta para a equipa grená. Nas últimas quatro jornadas, o clube alinha com a equipa júnior, e, numa demonstração de desportivismo, os adversários fazem o mesmo.

Um ano depois da tragédia, é uma Itália dizimada e desmoralizada que viaja de barco para o Brasil, onde participa sem brilho no Mundial, sendo eliminada na primeira fase. Faltam-lhe Bacigalupo, Ballarin, Rigamonti e Castigliano, entre outros. Mas principalmente Valentino Mazzola, ídolo, goleador e capitão, o melhor de uma geração.

Após Superga, o Torino perde o estatuto de maior clube italiano. Depois, deixa mesmo de ser o maior da cidade de Turim, deixando terreno para o avanço da Juventus. Em 1959, dez anos depois da tragédia, desce pela primeira vez à Série B. Só em 1976 o «Toro» volta a ganhar um «scudetto» de enorme carga emocional.

Sem Mazzolla para responder ao toque da cavalaria, o Filadélfia vai morrendo. Durante dez anos o estádio manteve-se ativo mas a sombra de Superga pesava demasiado e, quando a equipa desceu à Serie B, começou a estudar-se definitivamente a mudança. Em 1963, o Torino passou a jogar no Comunalle. O Filadelfia foi deixado ao abandono como uma ruína dos dias de gloria do clube e uma lembrança do dia em que 31 vidas se perderam em Superga.
Lista de jogadores do Torino que morreram em Superga:

Aldo Ballarin
Danilo Martelli
Dino Ballarin
Eusebio Castigliano
Ezio Loik
Franco Ossola
Giuseppe Grezar
Guglielmo Gabetto
Julius Schubert
Mario Rigamonti
Milo Bongiorni
Piero Operto
Romeo Menti
Rubens Fadini
Ruggero Grava
Virgilio Maroso
Valerio Bacigalupo
Valentino Mazzola